Nutrição de Plantas natural
Missão | Equipe | Fale conosco
   

Principal
Culturas
Algodão
Café
Cana-de-açúcar
Carambola
Goiaba
Mamão
Manga
Maracujá
Melancia
Milho
Nutrição & Qualidade
Sementes
Frutas
Hortališas
Ensino
Graduação
Pós-graduação
Pesquisa
Estágios
Projetos
Teses e Dissertações
Extensão
Laboratórios de rotina
Amostragem de folhas
Eventos
Livraria Online
Links
Webmail

Busca no site
digite + enter

 

 

 

 

Algodão

TEXTO BÁSICO

Texto básico > Análise química de folhas e a diagnose

A diagnose consiste na avaliação do estado nutricional de uma planta tomando uma amostra, seja de um tecido vegetal, seja do solo, e compará-la com seu padrão preestabelecido. Este padrão consiste em uma planta ou solo que apresenta todos os nutrientes e proporções adequadas capazes de proporcionar condições favoráveis para a planta expressar seu máximo potencial genético para a produção.

Para avaliar o estado nutricional da planta, existem algumas ferramentas de diagnose que apresentam características específicas, a qual pode ser feita no tecido vegetal ou no solo. No tecido vegetal, normalmente, utilizam-se as folhas, podendo ser a partir da diagnose visual ou da análise química que, por sua vez, pode ser interpretada, tomando um único nutriente através do método do nível crítico, da faixa de suficiência, ou alternativamente, tomando como base a relação dos nutrientes, feita pelo método denominado DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação). Indiretamente, o solo, através da análise química, pode ser também utilizado para avaliar o estado nutricional da planta. Assim, existem várias ferramentas que podem ser utilizadas, preferencialmente de maneira integrada, para o conhecimento do sistema solo-planta, com subsídios suficientes para a interferência, se for o caso, na adoção de práticas de adubação mais eficientes.

A diagnose visual permite avaliar os sintomas de deficiência ou excesso de nutrientes, e é possível fazer correções no programa de adubação, com certas limitações. Entretanto, este método recebe críticas, uma vez que, no campo, a planta é passível de sofrer interferências de pragas e patógenos que podem mascarar a exatidão da detecção do nutriente-problema. Além disto, a diagnose visual não quantifica o nível de deficiência ou de excesso do nutriente em estudo.

Cabe salientar que somente quando a planta apresenta uma desordem nutricional aguda, é que ocorre claramente a manifestação dos sintomas visuais de deficiência ou excesso característicos, passíveis de diferenciação; entretanto, neste ponto, parte significativa da produção (cerca de 40-50%) está comprometida. Portanto, o uso da diagnose visual não deve ser a regra e, sim, como um complemento da diagnose. Os sintomas visuais de deficiência e excesso são apresentados no próximo capítulo (item 3.4).

A diagnose vegetal presta-se para identificar o estado nutricional da planta, através da análise química de um tecido vegetal que seja mais sensível em demonstrar as variações dos nutrientes e que seja o centro das atividades fisiológicas da planta, ou seja, na maioria das vezes, a folha. É necessário, ainda, que a planta esteja em uma época de máxima atividade fisiológica, como no florescimento ou início da frutificação.

Em virtude desta última exigência da análise química das folhas no auge do desenvolvimento da planta, coloca-se a diagnose foliar com pouca ação na eventual correção da deficiência de nutrientes em plantas anuais no mesmo ciclo de produção da cultura. Entretanto, em culturas perenes como cafeeiro, a diagnose foliar apresenta potencial elevado no diagnóstico do estado nutricional da planta e possibilidade de correção no mesmo ano agrícola, com satisfatória eficiência.

Portanto, a idéia de se usar conteúdo mineral como critério para se avaliar o estado nutricional de plantas perenes é bastante atraente, visto que a diagnose foliar tem como vantagem utilizar a própria planta como extrator.

Para a amostragem correta da folha-diagnose propriamente dita, devem-se considerar a época de coleta, tipo de folha e o número suficiente, que garantirá validade do resultado da análise química foliar, sua interpretação e a correção das deficiências com as futuras adubações. É relevante salientar a importância dessa etapa de amostragem, visto que a maioria dos erros que podem ocorrer em um programa de adubação, advêm da amostragem malfeita e não por problemas analíticos de laboratório ou ainda do uso de tabelas de recomendação inadequadas.

Para a diagnose foliar do algodoeiro devem ser amostradas folhas no período de florescimento (quinta folha da haste principal, 80 – 90 dias da emergência), e os resultados interpretados segundo os dados da Tabela 1.

Tabela 1. Teores adequados de nutrientes na matéria seca de folhas de algodoeiro, no período de florescimento (MALAVOLTA, 1992).

N P K Ca Mg S
g kg-1
35-40 2.0-2.5 14-16 30-40 3-5 2-3
B Cu Fe Mn Zn Mo
mg kg-1
20-30 5-35 60-80 30-100 20-60 1-2

MEDEIROS & HAAG (1990) estudou a melhor época de coleta de folhas e pecíolos para a diagnose foliar do algodoeiro. A coleta das folhas seguiu-se com os seguintes estádios de desenvolvimento: 1ª coleta – época 1 : 44 dias – botão floral ; 2a coleta – época 2 : 59 dias – flor ; 3a coleta – época 3 : 74 dias – fruto imaturo. Observou-se que o pecíolo é a parte mais sensível às variações de concentração de nutrientes do que o limbo foliar. Verifica-se que nos cultivares de ciclo anual a concentração de fósforo no limbo e pecíolo decrescem linearmente com o tempo. A absorção de fósforo é contínua durante todo o ciclo de desenvolvimento da cultura, mas a maior parte do fósforo absorvido no período do crescimento vegetativo é translocado das folhas para os frutos. A época mais adequada para a coleta das folhas é de 44 dias após florescimento ou no botão floral.

Nem sempre a constatação de deficiência nutricional através do levantamento visual de sintomas permite a possibilidade de correção da carência no próprio ano agrícola.

Entre os critérios de interpretação normalmente usados, pode-se citar o baseado no nível crítico que exprime um único valor ou um intervalo de valores, ou seja, uma faixa com teor adequado. É comum, nas tabelas dos órgãos oficiais, o uso de faixas de teores adequados, visto que engloba maior número de condições edafoclimáticas ou cultivares distintas. Além disso, não existe um determinado ponto de ótima produção, mas sim uma determinada faixa, porque o aumento da produção obtido com doses crescentes de nutrientes é sempre associado a um erro estatítisco. Nos resultados de pesquisas locais, é comum expressar, como valor adequado de nutrientes, o nível crítico.

Normalmente, os experimentos de adubação, que definem os níveis críticos ou faixas adequadas, como os apresentados anteriormente, devem seguir alguns procedimentos chamados padrões, como:

1) Escolher uma área, com um grupo de solos representativos, que predomine na região, e que apresente um teor de nutrientes baixo, para que haja a resposta da planta. Os demais nutrientes não estudados devem ser fornecidos em quantidades ótimas para o máximo desenvolvimento das plantas.
2) Utilizar técnicas de cultivo das plantas de acordo com as recomendações locais e amplamante empregadas pelos produtores e, ainda, usar fontes de fertilizantes normalmente disponíveis e com custo por unidade de nutriente satisfatório.
3) Estabelecer as relações de resposta, ou seja:
a) Dose do nutriente aplicado x teor do nutriente no solo;
b) Teor do nutriente no solo x teor do nutriente na folha;
c) Teor do nutriente na folha x produção, conhecida como curva de calibração.
4) Repetir experimentos em diferentes condições edafoclimáticas, a fim de que a informação seja válida para o maior número de propriedades rurais, e que sejam beneficiados mais produtores.

Além da avaliação do estado nutricional da planta, Landivar & Benedict (1997) recomendam uma avaliação sistêmica em todo ciclo de vida da planta, conhecido como mapeamento ou monitoramento, durante cada fase de desenvolvimento: a) Vegetativa primária, emergência da planta até o aparecimento do primeiro quadrado; b) Juvenil, do primeiro quadrado à primeira floração; c) Reprodutiva, primeira floração ao desbaste; d) Maturação, desbaste à maturação das maças e colheita. Nestas fases é levantado vários dados das plantas como tipo de estrutura reprodutiva presente (quadrado, maça ou fruto), nas duas primeiras posições de cada ramo reprodutivo, bem como medidas de altura, número de nós vegetativos. Tomando-se como exemplo a segunda fase de monitoramento, onde a planta está na fase de floração inicial, a qual quantifica a retenção de frutos medido na primeira e segunda posições de cada ramo e suas inferências no manejo da cultura. Estes dados obtidos são processados em um programa específico de microcomputador (PMAP).

Segundo os autores, o desempenho do monitoramento da cultura durante os estágios chaves de desenvolvimento da planta deve ser entendido como ferramenta valiosa pelos produtores para identificarem problemas e estabelecerem prazos para iniciar ação corretiva.

Tabela .. Interpretação dos níveis de retenção de frutos obtidos durante a fase reprodutiva.

Fatores afetados Retenção de frutos na primeira e segunda posições
  Abaixo de 60% Acima de 70%
Potencial de produção Abaixo da média Acima da média
Potencial crescimento excessivo Mais alta Mais baixa
Necessidade de PIX Mais alta Mais baixa
Necessidade de nutrientes Mais baixa Mais alta
     
Obs. A retenção de frutos de 60 a 70% é considerada média.

Texto básico > Análise química de folhas e a diagnose

 

   
© 2004 Renato de Mello Prado. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Natural Soluções Setoriais